A leitura sempre esteve presente em minha vida , começou aos seis anos de idade, quando minha mãe me preparava para ingressar à escola ( naquela época não tinha pré).
Mamãe escrevia muito bem, seu sonho era ser professora mas, nos anos 50, mulher não estudava, casava e tinha muitos filhos, mesmo assim ela não abandonou seu sonho, foi a minha primeira professora! Lembro-me muito bem, sua letra era linda, perfeita e, eu adorava aquilo, queria escrever igual a ela (quase consegui) embora ela tivesse apenas o antigo 4º ano primário, escrevia poemas. Sua leitura era maravilhosa tanto na entonação quanto na pontuação, era tão real...
Eu era curiosa, pegava os livros velhos que tínhamos e queria saber o que estava escrito e, mamãe, embora muito ocupada com os irmãos menores não hesitava, e lia-os para mim.
Completei os meus sete anos, idade escolar , entretanto, não pude ir à escola, não tinha companhia, pois morávamos num sítio à três quilômetros da cidade, não podia caminhar pela estrada, sozinha ainda pequena. A solução foi esperar o ano seguinte, a companhia de meu irmão e uma prima "chata"( não gostava dela). Assim se fez...
Surpresa. No primeiro dia de aula a professora se surpreendeu com meu caderno. Cabeçalho pronto. Enquanto ela passava na lousa com aquela letra enorme de forma, eu já me antecipei com letra de mão e bonitinha, pois minha mãe havia me ensinado. Quando lhe disse que também sabia ler , a professora não acreditou, pois eu era "pé sujo" ( era assim que as crianças da cidade se referiam a nós moradores da roça). Então , me trouxe um livreto e disse : "leia para mim, quero ver se você sabe mesmo" . Timidamente, voz baixa, li..."OS TRÊS PORQUINHOS".
Desde então esta é a minha história preferida. Li para os meus filhos, também para minhas netas e sem dúvida lerei para o neto recém nascido quando crescer.
Sempre que sai uma versão diferente eu não deixo de comprar. Ficou para sempre em minha memória. Faz parte de mim.
Tenho apenas 57 aninhos!
E para complementar, nunca mais parei de ler.
Ah! E adoro escrever também.
Abraços.
Doni
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